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JORGE AMADO (1912)

Jorge Amado de Faria nasceu em ltabuna (BA) em 1912, mas passou a infância em Ilhéus, onde presenciou a luta pela posse de terras. Em Salvador, estudou no colégio dos padres jesuítas. Fugiu para a casa do avô, em Sergipe. O pai levou-o de novo para Salvador, internando-o em outro colégio. Exerceu o jornalismo, antes de transferir-se para o Rio, onde se formou em direito. Tinha apenas 19 anos quando lançou o romance O país do carnaval. O romance seguinte, Cacau, foi apreendido pela polícia. Cacau esgotou em quarenta dias a edição de 2 mil exemplares: a proibição de venda por subversivo, decretada pela polícia carioca, ajudou o sucesso de público.

Jorge Amado esteve preso entre 1936 e 1937, por oposição ao Estado Novo. Libertado, exilou-se na Argentina e depois no Uruguai. De volta ao Brasil, elegeu-se deputado federal pelo estado de São Paulo em 1945, mas seu mandato político foi cassado em 1948. Deixou novamente o país, desta vez rumo à Europa. Já bastante conhecido, graças à tradução de suas obras para muitas línguas, retornou ao Brasil em 1952. Obras :

É extensa a lista de obras de Jorge Amado. Além de Jorge Amado ser o escritor brasileiro mais lido no exterior, vários de seus livros foram adaptados para o cinema, a televisão e o teatro. Assim como ocorreu com outros autores nordestinos da década de 30, a obra de Jorge Amado influenciou no andamento da literatura portuguesa do período. O Neo-Realismo português (1940 em diante) muito deve á obra desses escritores. Uma esquematização didática da trajetória desse ficcionista aponta as principais tendências básicas de sua obra.

a) romances da Bahia (denominação do próprio escritor)

Tendo Salvador como cenário, são obras comprometidas com a denúncia das injustiças sociais e da opressão. Jorge Amado constrói um mundo dividido rigorosamente entre bons e maus, negros e brancos. O amadurecimento político das personagens que simbolizam os oprimidos, quando ocorre, nessas obras é pouco convincente. Nessa tendência enquadram-se: O país do Carnaval, Suor e Capitães da areia.

b) romances ligados ao ciclo do cacau

Ainda existe a preocupação de denunciar a exploração sofrida pelas classes trabalhadoras Agora o cenário é outro: as fazendas de cacau do Sul da Bahia, cenário de conflitos sociais decorrentes da oposição entre o trabalhador rural e o exportador de cacau. Essa temática é predominante em Cacau, São Jorge dos ilhéus e Terras do sem-fim. Este último é considerado pela crítica como o melhor romance de Jorge Amado. Crítica e público leitor dificilmente estão de acordo: não é este o romance mais vendido do autor e talvez seja o menos conhecido do público em geral.

c) crônicas de costumes

Nesse tipo de narrativa, o autor dá ênfase aos diversos aspectos que compõem o comportamento social das personagens, geralmente vistas em grupo ou como símbolos de um grupo. Trabalhando ainda no cenário da Bahia, o autor narra histórias em que malandros e vagabundos são elevados á categoria de heróis românticos e folhetinescos. São narrativas líricas como Mar morto e Gabriela, cravo e canela, esta de 1958, um dos maiores êxitos editoriais da literatura brasileira. Nessa tendência enquadra-se também a novela A morte e a morte de Quincas Berro d'Água, em que Jorge Amado criou uma de suas personagens mais perfeitas: o marinheiro Quincas Berro d'Àgua.

Essa categoria de crônicas de costumes acolhe ainda os romances protagonizados pelas grandes heroínas de Jorge Amado, muito conhecidas pelo público brasileiro. São, além de Gabriela, as personagens-título das obras Teresa Batista cansada de guerra, neta do agreste, Dona Flor e seus dois maridos.

Jorge Amado escreveu ainda duas importantes biografias romanceadas: ABC de Castro Alves e O cavaleiro da esperança. Nesta, narra a vida de Luís Carlos Prestes, o primeiro e mais conhecido presidente do Partido Comunista Brasileiro.

Em 1992 Jorge Amado publicou Navegação de cabotagem, cujo subtítulo é: apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei. O livro compõe-se de escritos datados (mas não ordenados cronologicamente), em que o autor relata passagens de sua vida pessoal e de sua carreira literária.

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