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MÁRIO DE ANDRADE (1893 - 1945)

Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo, em 1893. Um espírito inquieto animava sua impressionante atividade cultural: professor de música, grande pesquisador do folclore, colaborador de vários jornais e revistas, poeta, romancista, critico literário, critico musical, ensaísta de arte, folclore, literatura e música.

No ano de 1917, três fatos importantes: morte do pai; conclusão do curso de piano; e Há uma gota de sangue em cada poema, primeiro livro, publicado sob o pseudônimo de Mário Sobral. Nessa altura, Mário já adquiria fama de erudito. A participação na Semana, a publicação de Paulicéia desvairada e a nomeação como professor catedrático do. Conservatório Dramático e Musical de São Paulo consolidavam o prestigio de Mário de Andrade. A cidade de São Paulo, sua mais profunda paixão, constitui tema freqüente de sua obra. Por volta de 1934, Mário foi chefe do Departamento de Cultura de São Paulo. Quatro anos depois, motivos políticos provocaram seu afastamento e a mudança para o Rio, onde exerceu o cargo de professor da Universidade do Distrito Federal. Lá ficou pouco tempo. A ligação com São Paulo era muito forte. A Segunda Guerra Mundial afetou profundamente o ânimo do poeta. Parece que essa foi uma fase de grande angústia existencial.

Na tarde de 25 de fevereiro de 45, faleceu Mário de Andrade, que pedira num de seus poemas:

 

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo.
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam
No Pátio do Colégio afundem
o meu coração paulistano...

Poesia

"Há uma gota de sangue em cada poema" é o primeiro livro de poemas. Feito sob o impacto da Primeira Guerra, apresenta poucas novidades estilísticas. Poucas, mas suficientes para incomodar a crítica mais acadêmica, que não gostou do livro. o trecho seguinte ilustra a linguagem da obra.

Paulicéia Losango cáqui, segundo o próprio poeta, constitui-se de "sensações, idéias, alucinações, brincadeiras, liricamente anotadas ". Em outras palavras, o cotidiano de sua vivência transformado em poesia.

Clã do jabuti, certamente resultado das viagens culturais do autor, vale-se do folclore, de costumes e linguagem regionais, numa tentativa de analisar a diversidade cultural do Brasil. Essa intenção de Mário evidencia-se já no titulo de alguns poemas: "Noturno de Belo Horizonte", "Carnaval carioca", "Moda da cadeia de Porto Alegre", "Dois poemas acreanos".

Remate de males, além de dar seqüência à temática principal da obra anterior, de caráter nacionalista, apresenta poemas líricos que expressam o mundo interior do poeta. desvairada vinha repleto de inovações que logo transformaram o livro numa espécie de ponto de referência obrigatório para os modernistas. Além disso, trazia o "Prefácio interessantíssimo", escrito em versos, no qual Mário de Andrade expôs sua teoria poética, denominada desvairismo.

"Lira Paulistana" retoma, numa perspectiva diversa, o mesmo tema de Paulicéia desvairada, ou seja, São Paulo. Nessa obra está o longo poema "A meditação sobre o Tietê", provavelmente o último poema escrito por Mário e considerado uma obra-prima de sua poesia. o Tietê é o rio que está à margem de São Paulo.

Conto

Os contos mais significativos acham-se em Belazarte e em Contos novos. No primeiro, a escolha do assunto predominante - o proletariado em seu problemático dia-a-dia - mostra a preocupação do autor na denúncia das desigualdades sociais. No segundo, constituído de textos esparsos reunidos em publicação póstuma 1946) estão os contos mais importantes como Primeiro de mato, o peru de Natal e Frederico Paciência. Pela extensão, nenhum deles pôde ser transcrito neste volume.

Romance

O primeiro romance data de 1927: Amar, verbo intransitivo. Nele, Mário desmascara o convencionalismo da burguesia paulistana - como já fizera no poema estudado nesta unidade. A história que serve de veículo a este objetivo é a de um rico industrial que contratou uma governanta (Fràulein) para ensinar alemão aos filhos. Na verdade, essa tarefa era apenas uma fachada para a verdadeira missão de Fräulein: a iniciação sexual de Carlos, filho mais velho do industrial.

Em 1928 publicou-se Macunaíma, a obra mais importante de Mário de Andrade. Ela foi classificada pelo autor não como romance, mas como rapsódia. Como nas rapsódias musicais, que se utilizam da colagem de elementos extraídos de cantos populares tradicionais, a obra resulta da utilização de lendas, ditos, provérbios, máximas, em resumo, fragmentos da cultura popular sul-americana, reunidos em torno da personagem central - Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. A narrativa pode ser assim resumida: Macunaíma nasce sem pai, na tribo dos índios Tapanhumas, às margens do rio Uraricoera. Morta á mãe, Macunaíma e os irmãos partem em busca da aventura. Do encontro com as Amazonas resulta o casamento de Macunaíma com Ci, a mãe do mato. Ci dá à luz um menino que morre e se transforma na planta do guaraná. Pouco depois, sentindo que vai morrer de desgosto, Ci dá a Macunaíma um amuleto, pedra muiraquitã. Ci morre pouco depois, transformada em estrela - a beta do Centauro. O amuleto, que o herói tinha perdido, reaparece nas mãos de Venceslau Pietro Pietri mascate peruano que morava em São Paulo e que na verdade é Piaimã, o gigante antro pófago. Um passarinho dá noticias do amuleto a Macunaíma. Acompanhado dos irmão - Jiguê e Maanape -, Macunaíma desce o rio Araguaia, a caminho de São Paulo, visar do a recuperar seu amuleto. Após inúmeras aventuras em sua caminhada, o herói recupera o amuleto, matando Piaimã. Logo em seguida, a pedra desaparece novamente. Perseguido pelo minhocão Oibê, Macunaíma percorre todo o Brasil e volta para o Amazonas. Um dia, desgostoso e solitário, resolve subir ao céu, transformando-se na constelação da Ursa Maior.

Obras

Poesia:

  • Há uma gota de sangue em cada poema (1917)
  • Paulicéia desvairada (1922)
  • Losango cáqui (1926)
  • Clã do jabuti (1927)
  • Remate de males (1930)
  • Poesia (1941)
  • Lira paulistana, seguida de O carro da miséria (1946).

Conto:

  • Primeiro andar (1926)
  • Belazarte (1934)
  • Contos novos (1946).

Romance:

  • Amar verbo intransitivo (1927)
  • Macunaíma (1928).

Ensaio:

  • A escrava que não é Isaura (1925)
  • Música do Brasil (1941)
  • O movimento modernista (1942)
  • O empalhador de passarinhos (1944)

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